A homilia da Michelle Bolsonaro na posse do Donald Trump

O discurso ensaiado da Michelle Bolsonaro, nos Estados Unidos, no dia da posse do Donald Trump, foi feito mirando o público evangélico brasileiro.

Pleno News, veículo com verniz supostamente jornalístico, palco costumeiro da extrema direita evangélica, criou o simulacro. Lendo o teleprompter, Michelle tentou encenar o papel de esposa de um estadista injustiçado.

O esquema já é bem conhecido. Pleno News edita conteúdos com roupagem “jornalística” e os políticos e influenciadores da extrema direita, voltados para o público evangélico, compartilham nas redes sociais e púlpitos como se fossem notícias.

Narrativas erráticas com jargões dos crentes tentando espiritualizar a cena pública.

Michelle não compartilhou conhecimentos ou análises, apenas dois sentimentos.

O primeiro, a alegria de estar participando do momento histórico nos Estados Unidos. Segundo ela, com a posse do Presidente Donald Trump, a democracia e os princípios orientados por Deus serão resgatados na América.

O segundo sentimento, a tristeza de não ter ao lado neste momento histórico o seu marido. Alega que tal impedimento se deve tão somente a uma decisão monocrática baseada em suposições e perseguições pessoais.

A estratégia da alocução em questão explorou dois flancos: colar na imagem do Trump, insinuando o prenúncio do retorno do Bolsonaro ao poder no Brasil; vitimizar o Bolsonaro como se ele fosse um injustiçado, vítima de perseguição pessoal do Alexandre de Moraes.

Com vestido de gala, numa alusão a liderança espiritual, Michelle convocou os brasileiros a orarem pela nação.

Terminou a homilia, pronunciada da calçada, sugerindo o imaginário teológico de povos escolhidos. Como se em política externa, Deus fosse bastante seletivo e restritivo: “Que as bênçãos do nosso amado Deus estejam sobre a América, sobre Israel e sobre o nosso amado Brasil.”

Michelle volta à cena como garota propaganda da extrema direita para cativar o eleitorado evangélico. O texto está pronto. Basta escolher cenário, figurino e encontrar o tom para ler o discurso. O nome de Deus tomado em vão!

Valdemar Figueredo
Editor do Instituto Mosaico, Pesquisador da USP (pós-doc), cientista social e pastor
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