NISE DA SILVEIRA: TECER É HUMANIZAR

O manicômio que confina também reduz, entorpece, subestima e humilha. Imagina uma sociedade disposta a fazer experimentos com pessoas vulneráveis amontoando gente como empilha coisa.  Que “loucura”!

A arte liberta e o convívio com os animais humaniza. Podemos considerar como cientista a psiquiatra que fez descobertas tão singelas?

Humanizar é tecer, pintar, esculpir, dançar, cantar, engendrar, criar, imaginar, inventar e sorrir sem cabresto.

Destecer por puro ódio é desumano. Tentar enquadrar e limitar o sorriso do outro é diabólico. A quem pode soar ameaçador deixar o riso correr solto fora do esquadro chamado normal?

Sinal de insanidade é tratar pessoas como mercadorias e fazer das suas vulnerabilidades oportunidade de lucro.

O trabalho da alagoana Nise da Silveira foi essencialmente lembrar da dignidade intrínseca da pessoa humana, esteja ela na condição que for.

Na atual crise humanitária brasileira é revelador tentarem cancelar quem ousou humanizar. O lúdico pode ser perturbador para quem se leva a sério demais e se perdeu no personagem.

Eles passarão, Nise passarinho!

 

Valdemar Figueredo
Editor do Instituto Mosaico, Pesquisador da USP (pós-doc), cientista político e pastor