O ato de compor uma biblioteca chamada vida!

Isto deveria ser uma crônica sobre algo leve e cotidiano, caros leitores! Mas levando em consideração que vivemos como alvo e seta sem sabermos para onde nos direcionarmos nesse tempo em que nossas experiências já não são degraus para o nosso crescimento, e sim, vídeos e likes que põem em dúvida nossa identidade; espero deixar uma reflexão sobre como escrever suas próprias histórias, não como amadores, mas como quem tem capacidade Machadiana para o ato de compor a/uma biblioteca chamada vida!

Vida esta, que não é um roteiro a ser seguido, nem um dicionário, infelizmente, com respostas prontas, mas sim, um tragicômico momento que nos traz a obrigatoriedade de tomarmos em nossas próprias mãos a pena e o tinteiro e redigirmos nós mesmos os capítulos e até mesmo as capas dos nossos textos.

Assim sendo, devemos traçar novas linhas, pintarmos novos desenhos, preenchermos com novas cores, criarmos neologismos, mudarmos as acepções. É preciso trazermos novas interrogações, novas exclamações, novos acentos, fazermos algum parágrafo com ponto final, trazermos sempre etcéteras, escrevermos novos temas: pensamentos que transitem nas vias: vindas e idas. Sublinharmos diálogo com todos os capítulos, fazermos anotações sob as notas de rodapé. As páginas que já estão amarelas: viremos!

— Contemo-las como passado.

Porém devemos continuar compondo novas histórias de vários gêneros e tudo isso, sem nos importarmos com as más interpretações; afinal, somos todos nós, aprovações das provas da vida, com a autoria das ações. E a quem devemos: é só à vida. E o que devemos à vida: é escrevermos todo o livro.

Mirele de Moura

Nordestina do Maranhão, estudou teologia na Faculdade Batista do Rio de Janeiro, vive atualmente em Tocantins. É autora do livro: “Iconoclastia Poética - da religião, da angústia, do erotismo e outros assuntos”. Atualmente divide seu tempo entre seus alunos e a escrita de seu segundo livro.

OPINIÃO
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