Isto deveria ser uma crônica sobre algo leve e cotidiano, caros leitores! Mas levando em consideração que vivemos como alvo e seta sem sabermos para onde nos direcionarmos nesse tempo em que nossas experiências já não são degraus para o nosso crescimento, e sim, vídeos e likes que põem em dúvida nossa identidade; espero deixar uma reflexão sobre como escrever suas próprias histórias, não como amadores, mas como quem tem capacidade Machadiana para o ato de compor a/uma biblioteca chamada vida!
Vida esta, que não é um roteiro a ser seguido, nem um dicionário, infelizmente, com respostas prontas, mas sim, um tragicômico momento que nos traz a obrigatoriedade de tomarmos em nossas próprias mãos a pena e o tinteiro e redigirmos nós mesmos os capítulos e até mesmo as capas dos nossos textos.
Assim sendo, devemos traçar novas linhas, pintarmos novos desenhos, preenchermos com novas cores, criarmos neologismos, mudarmos as acepções. É preciso trazermos novas interrogações, novas exclamações, novos acentos, fazermos algum parágrafo com ponto final, trazermos sempre etcéteras, escrevermos novos temas: pensamentos que transitem nas vias: vindas e idas. Sublinharmos diálogo com todos os capítulos, fazermos anotações sob as notas de rodapé. As páginas que já estão amarelas: viremos!
— Contemo-las como passado.
Porém devemos continuar compondo novas histórias de vários gêneros e tudo isso, sem nos importarmos com as más interpretações; afinal, somos todos nós, aprovações das provas da vida, com a autoria das ações. E a quem devemos: é só à vida. E o que devemos à vida: é escrevermos todo o livro.